Vacinação contra dengue é interrompida temporariamente no Amazonas
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Vacinação contra dengue é interrompida temporariamente no Amazonas

A administração do Amazonas anunciou a suspensão temporária da vacinação contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão foi divulgada nesta segunda-feira (8) pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), em conformidade com orientações do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A medida é de natureza preventiva e surge após a notificação de 42 casos de reações adversas graves entre os imunizados. O Ministério da Saúde relatou que os pacientes apresentaram sintomas que se assemelham aos da dengue severa, como fortes dores abdominais, episódios persistentes de vômito e sangramentos. Dentre os casos reportados, três foram considerados graves, incluindo dois falecimentos que estão sob investigação.

Segundo Tatyana Amorim, diretora-presidente da FVS-RCP, o estado recebeu um total de 25.580 doses do imunizante, das quais 5.780 já foram administradas em profissionais da Atenção Primária à Saúde.

“Até agora, 84 eventos supostamente atribuídos à vacinação ou imunização (Esavi) foram registrados, sem qualquer óbito vinculado à vacina no estado”, afirmou.

O governo estadual não forneceu detalhes sobre a ocorrência dos casos investigados pelo Ministério da Saúde no Amazonas, nem divulgou informações acerca da origem das notificações que estão sendo analisadas.

Continuidade do monitoramento

Apesar da pausa na aplicação da vacina, a FVS-RCP comunicou que o monitoramento dos vacinados prosseguirá normalmente. Angela Desirée, gerente de Imunização da fundação, mencionou que aproximadamente 916 pessoas que receberam a vacina nos últimos 21 dias serão acompanhadas pelas equipes municipais de saúde.

A intenção é detectar potenciais eventos adversos e assegurar assistência imediata caso surjam sintomas que necessitem de avaliação médica.

A fundação enfatizou que essa medida não diminui a relevância da vacinação como uma estratégia vital para a saúde pública e ressaltou que o incidente evidencia o funcionamento eficaz dos sistemas de vigilância encarregados de monitorar continuamente a segurança dos imunizantes utilizados no Brasil.

Sobre a vacina brasileira

A Butantan-DV, criada pelo Instituto Butantan, é reconhecida como a primeira vacina brasileira contra dengue e também é pioneira mundial ao ser administrada em dose única. A campanha vacinal teve início neste ano e priorizou os profissionais de saúde, que receberam cerca de 417 mil doses.

No total, aproximadamente 500 mil pessoas foram vacinadas em todo o país, resultando em 3.703 notificações de eventos adversos – representando 0,7% do total vacinado. Destes registros, 42 apresentaram sinais considerados graves, correspondendo a apenas 0,008% dos imunizados. Todos esses casos estão sob investigação.

Além dos trabalhadores da saúde, outras 83,6 mil doses foram aplicadas em indivíduos entre 15 e 49 anos nas cidades de Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e na área de Araguaína (TO). O Ministério da Saúde declarou que não houve relatos de eventos adversos nessas regiões.

Próximas etapas

Com esta suspensão temporária, estados e municípios devem interromper a vacinação até que as investigações sejam concluídas. O Ministério da Saúde anunciou que intensificará junto às secretarias estaduais a busca por possíveis efeitos adversos associados ao imunizante.

A orientação para aqueles que foram vacinados nos últimos 21 dias é permanecer alerta para o surgimento de sintomas como febre, dores abdominais intensas, vômitos persistentes e outros sinais preocupantes, buscando atendimento médico quando necessário.

Em comunicado oficial, o Instituto Butantan afirmou que irá seguir as diretrizes do Ministério da Saúde e da Anvisa e apoiará a suspensão preventiva da aplicação da vacina enquanto as avaliações sobre a estratégia de imunização estão sendo conduzidas.

Foto: Divulgação/FVS-RCP