Copom decidirá sobre manutenção da Taxa Selic mesmo com quórum reduzido.
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Copom decidirá sobre manutenção da Taxa Selic mesmo com quórum reduzido.

Juros básicos estão no maior nível em quase 20 anos

Em meio à desaceleração da inflação, mas com alguns preços, especialmente de serviços, em alta, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) está realizando a primeira reunião do ano nesta quarta-feira (28). Mesmo com a recente queda do dólar, os analistas do mercado financeiro preveem a manutenção da taxa no maior patamar em quase duas décadas.

Atualmente em 15% ao ano, a Selic está no maior nível desde julho de 2006, quando alcançou 15,25% ao ano. De setembro de 2024 a junho do ano passado, a taxa foi elevada sete vezes seguidas, porém não sofreu alterações nas últimas quatro reuniões.

A decisão sobre a Taxa Selic será anunciada no início da noite desta quarta. O Copom estará desfalcado devido ao término do mandato dos diretores Renato Gomes e Paulo Pichetti no final de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva só indicará os substitutos após o retorno do Congresso Nacional, em fevereiro.

Na ata da última reunião, em dezembro, o Copom indicou que a Selic permanecerá em 15% ao ano por um período prolongado para assegurar a convergência da inflação à meta, sem mencionar uma data para iniciar a redução dos juros.

De acordo com a ata do Copom, o cenário atual continua cercado de incertezas, exigindo cautela na condução da política monetária. No cenário doméstico, alguns preços, como os de serviços, continuam pressionando a inflação, apesar da desaceleração da economia.

Conforme a edição mais recente do boletim Focus, pesquisa semanal com analistas de mercado, a taxa básica deve ser mantida em 15% ao ano até março. No entanto, as chances de uma redução ainda em janeiro aumentaram nos últimos dias com a queda do dólar, que retornou para cerca de R$ 5,20.

Inflação

O comportamento da inflação permanece uma incógnita. A prévia da inflação oficial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), registrou apenas 0,2% em outubro e acumula 4,5% em 12 meses, retornando ao teto da meta. O IPCA completo de novembro só será divulgado nesta quarta-feira.

Segundo o último boletim Focus, a estimativa de inflação para 2025 caiu para 4,4%, em comparação com 4,55% há quatro semanas. Isso representa uma inflação ligeiramente abaixo do teto da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3%, podendo atingir 4,5% devido ao intervalo de tolerância de 1,5 ponto.

Taxa Selic

A taxa básica de juros é utilizada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve como referência para as demais taxas da economia. Ela é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. O BC atua diariamente por meio de operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de juros próxima do valor definido na reunião.

Ao aumentar a taxa básica de juros, o Copom visa conter a demanda aquecida, o que impacta nos preços, pois os juros elevados tornam o crédito mais caro e incentivam a poupança. Dessa forma, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. No entanto, além da Selic, os bancos consideram outros fatores ao determinar as taxas cobradas dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Com a redução da Selic, espera-se que o crédito fique mais acessível, estimulando a produção e o consumo, reduzindo o controle da inflação e impulsionando a atividade econômica.

O Copom realiza reuniões a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são apresentadas análises técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial, bem como o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom, compostos pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a Selic.

Meta Contínua

Com o novo sistema de meta contínua em vigor desde janeiro de 2025, a meta de inflação a ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é de 1,5% e o superior é de 4,5%.

No modelo de meta contínua, a meta é avaliada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em janeiro de 2026, a inflação desde fevereiro de 2025 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância. Em fevereiro de 2026, o procedimento se repete, com apuração a partir de março de 2025. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não se limitando mais ao índice consolidado de dezembro de cada ano.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado no final de dezembro pelo Banco Central, a previsão é de que o IPCA encerre 2026 em 3,5%, mas essa estimativa deve ser revisada. A próxima edição do documento, que substituiu o Relatório de Inflação, será divulgada no final de março.

Fonte: Agência Brasil