Após três décadas, suspeito é julgado e condenado pelo crime que vitimou Tupac Shakur
Após quase 30 anos do assassinato de Tupac Shakur, um júri em Las Vegas decidiu condenar Duane “Keffe D” Davis, de 63 anos, por sua participação no crime que vitimou um dos ícones do rap. O veredicto foi divulgado nesta segunda-feira (31) e marca a primeira condenação ligada a este caso emblemático.
Davis foi considerado culpado de homicídio com uso de arma letal, podendo enfrentar uma pena máxima de prisão perpétua. O júri, composto por 16 membros, incluindo quatro suplentes, chegou a essa decisão após aproximadamente três horas de discussões, após semanas de julgamento.
Durante o processo, foram ouvidas 24 testemunhas de acusação e três pela defesa ao longo de nove dias de depoimentos.
Nas alegações finais, o vice-procurador distrital Binu Palal destacou que Davis teria adquirido uma arma e participado de um plano para atacar tanto Tupac quanto Marion “Suge” Knight, cofundador da Death Row Records. Essa ação teria ocorrido após uma briga entre Knight e Shakur com o sobrinho de Davis naquela noite fatídica.
Palal observou que as versões apresentadas por Davis sobre o crime mudaram ao longo do tempo. Contudo, segundo o promotor, um fato se manteve constante nas diversas declarações: Davis afirmou repetidamente ter estado dentro de um Cadillac branco de onde os tiros foram disparados.
A defesa questionou a existência de provas sólidas que comprovassem a presença de Davis em Las Vegas ou dentro do veículo durante o crime. O advogado Michael Sanft ressaltou a falta de gravações de câmeras de segurança, registros telefônicos e outros elementos que pudessem atestar a presença do réu no local do incidente.
Reabertura das investigações após declarações
O assassinato de Tupac permaneceu sem solução por muitos anos até que declarações feitas por Davis à mídia em 2018 ajudaram a reabrir as investigações sobre o caso.
Em entrevistas e em seu livro “Compton Street Legend”, lançado em 2019, Davis alegou ter estado no banco da frente do Cadillac durante o ataque. Ele também revelou às autoridades que entregou a arma a um dos dois homens que estavam no banco traseiro do veículo.
No entanto, ele nunca apontou publicamente quem teria sido responsável pelos disparos. Os outros três ocupantes do Cadillac naquela noite já faleceram.
De acordo com a legislação do Nevada, é possível responsabilizar alguém por homicídio mesmo que essa pessoa não tenha atirado diretamente, contanto que tenha participado da elaboração ou execução do crime.
Tupac Shakur foi baleado em Las Vegas em setembro de 1996, logo após assistir a uma luta entre Mike Tyson e Bruce Seldon. O rapper veio a falecer seis dias depois aos 25 anos.
Caso Notorious B.I.G. segue sem esclarecimentos
Nas suas memórias, Davis também mencionou que durante muitos anos foi visto como suspeito nos assassinatos tanto de Tupac Shakur quanto de Christopher Wallace, conhecido como The Notorious B.I.G.
Wallace, outro grande nome do rap na década de 1990, foi assassinado em Los Angeles em março de 1997, apenas alguns meses depois da morte de Tupac. Esse caso permanece sem solução até hoje.
Investigadores levantaram durante anos a hipótese de que o assassinato de Wallace poderia estar vinculado à morte de Tupac devido à rivalidade entre artistas e gravadoras que permeava o cenário hip-hop na década passada.
