Celebração e Música: Cleusimar faz entrada triunfante no Belle Femme com festa e animação
Após mais de dois anos em regime fechado, Cleusimar Cardoso de Jesus, mãe de Djidja Cardoso, foi transferida para o regime semiaberto e recebeu uma tornozeleira eletrônica. Ela foi recebida com entusiasmo por amigos, familiares e funcionários no Parque 10. Sua chegada ao Salão Belle Femme ocorreu por volta das 15h, onde teve uma rápida interação com a mídia.
Na terça-feira (29/9), o Salão Belle Femme, situado na Rua Nikita Krushev em Manaus, se tornou o palco de um momento significativo. O evento não tinha relação com operações policiais, mas sim com a recepção calorosa a Cleusimar Cardoso, que estava presa há mais de dois anos por sua ligação com a ex-sinhazinha do Boi Garantido, Djidja Cardoso.
A recepção foi marcada por celebrações: cartazes, faixas, fogos de artifício e um alto-falante tocando músicas animadas. A palavra “Liberdade” ecoava entre os presentes. “Esperamos muito por este dia”, dizia um dos cartazes expostos na entrada do salão.
Um dia antes da chegada de Cleusimar, convites e flyers foram distribuídos para garantir que todos estivessem cientes da recepção. Ao falar brevemente com a imprensa que se encontrava em grande número no local, ela expressou sua emoção após esse longo período.
O evento no salão, que possui laços históricos com a família e as investigações da Operação Mandrágora, rapidamente reacendeu discussões sobre o Caso Djidja nas redes sociais.
Semiaberto — restrições permanecem
Na segunda-feira (28), a Justiça do Amazonas decidiu pela progressão de Cleusimar do regime fechado para o semiaberto. Essa decisão foi baseada na comprovação dos requisitos legais necessários e na correção de um erro no cálculo da pena anterior, que indicava setembro de 2029 como data final. Com isso, ficou estabelecido que sua pena se encerraria em 28 de setembro de 2026. A juíza Sabrina Cumba Ferreira, da Vara de Execução Penal de Manaus, foi responsável pela determinação.
A nova fase traz regras rigorosas:
- É obrigatório o recolhimento domiciliar das 22h às 6h durante os dias úteis;
- Nos finais de semana, feriados e folgas, a permanência em casa é total;
- A circulação é permitida apenas para trabalho, estudo ou tratamento médico, devendo informar o endereço à Central de Monitoramento;
- Proibição de deixar Manaus sem autorização judicial; consumo de álcool ou drogas; e porte de armas.
Caso haja descumprimento dessas condições, o benefício poderá ser revisto. A condenação imposta em julho de 2026 — 10 anos e 11 meses — continua válida e indica Cleusimar como líder da associação criminosa. A defesa dela está sendo conduzida pelos advogados Lenilson Ferreira e Juliano Negreiros e já entrou com recurso.
Linha do tempo do caso até hoje
No dia 28 de maio de 2024, Djidja Cardoso foi encontrada morta na residência familiar localizada no Cidade Nova. O laudo inicial do IML indicou depressão nos centros cardiorrespiratórios e edema cerebral sem causa definida. As autoridades iniciaram então investigações sobre o uso excessivo de cetamina.
Em 30 de maio de 2024, a Operação Mandrágora resultou na prisão de familiares e pessoas vinculadas aos salões Belle Femme. Durante as apreensões foram encontrados frascos de cetamina e seringas. Nesse contexto emergiu o grupo “Pai, Mãe, Vida”, associado a conceitos espirituais. Vídeos mostraram Cleusimar gravando seus filhos sob efeito da substância proibida.
Em dezembro de 2024 ocorreu a primeira condenação envolvendo sete indivíduos, incluindo Cleusimar e seu irmão Ademar.
No mês seguinte (setembro) houve anulação da sentença pelo TJAM devido à violação do direito à ampla defesa.
Em julho de 2026 uma nova sentença condenou novamente sete réus com penas equivalentes a 10 anos e 11 meses em regime fechado para Cleusimar e Ademar.
A progressão para o regime semiaberto foi autorizada em 28 de setembro deste ano.
No dia seguinte (29), teve lugar uma recepção festiva no Belle Femme acompanhada por fogos e gritos entusiasmados celebrando a “Liberdade”.
A progressão é um direito previsto pela legislação penal quando as condições são atendidas. Contudo, permanecer sob monitoramento não anula a condenação anterior nem apaga as memórias trágicas: a morte de Djidja Cardoso e os vídeos que revelam aspectos sombrios da família associados ao uso da droga investigada.
Pelo menos dois anos após os eventos iniciais do Caso Djidja ainda permanecem sem conclusão definitiva. Ademar segue encarcerado enquanto os recursos legais estão em análise. Em meio às flores e bandeirolas que tomaram conta do Parque 10 nesta terça-feira, o nome Djidja Cardoso voltou inevitavelmente à tona nas conversas.
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