Arma vinculada a Bolsonaro é desativada temporariamente com autorização de Michelle, revela apuração.
Uma arma que estava registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro foi confiscada durante uma ação da Polícia Civil do Distrito Federal. Essa arma havia sido temporariamente inutilizada por determinação da equipe de segurança, com a autorização de Michelle Bolsonaro. Essa informação foi obtida a partir de relatos de indivíduos que tiveram acesso aos detalhes da investigação e ao depoimento do militar encarregado da segurança do ex-presidente, que possuía a arma no momento da abordagem.
O militar Estácio Leite da Silva Filho dirigia o veículo abordado. Após prestar seu depoimento, ele foi liberado. Conforme informações de pessoas envolvidas na investigação, o militar relatou que estava transportando a arma a pedido de Jair Bolsonaro para realizar a manutenção necessária. No instante da apreensão, o armamento não possuía o percussor, componente essencial para efetuar disparos.
Em seu depoimento, Estácio explicou que a retirada do percussor foi uma decisão tomada pela equipe de segurança devido à quantidade de medicamentos utilizada por Bolsonaro. Segundo relatos, essa decisão foi consensual entre os responsáveis pela segurança e os familiares do ex-presidente, com o consentimento de Michelle Bolsonaro. A arma havia passado por modificações na semana anterior após um pedido da família para retirar uma peça específica. O testemunho revela que Michelle deu autorização para a remoção do percussor.
Pessoas próximas à investigação afirmam que o militar mencionou ter recolocado o percussor após finalizar o conserto da arma. Contudo, ele planejava devolvê-la apenas com a autorização de Michelle Bolsonaro. Como ela não se encontrava presente naquele momento, decidiu levar a arma para casa e realizar a manutenção antes de entregá-la ao ex-presidente.
Os depoimentos também sugerem que a retirada do percussor ocorreu em um período em que Bolsonaro tentava remover sua tornozeleira eletrônica usando um ferro de solda. Na ocasião, ele relatou ter tido alucinações e manifestado “certa paranoia”, possivelmente devido ao uso dos medicamentos. Segundo as fontes que acompanharam o caso, foi nesse contexto que a equipe de segurança decidiu implementar medidas adicionais para garantir a integridade física do ex-presidente.
Até agora, tanto Jair Bolsonaro quanto Michelle Bolsonaro e suas respectivas defesas não se pronunciaram publicamente sobre os conteúdos dos depoimentos e as informações ligadas à investigação.
Investigação revela que arma registrada em nome de Bolsonaro foi temporariamente inutilizada com consentimento de Michelle – Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo
